Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

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Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

QUANDO DESÁGUO

Mundo bobo, risonho, à toa.
Olha lá fora a garoa!
Daqui a pouco é tempestade
E nem dá conta de metade
Da água que te cai do céu.
Eu, aqui no meu papel,
Confesso não ver graça
Dessa chuva que não passa.
Fico assim, na espreita,
Esperando o dia da colheita,
Vendo tudo ir por água abaixo!
Não tão abaixo de onde me acho.
Se é que me acho. O que digo?!
Sou homem tão perdido
Que nem correnteza me encontra
Para me levar à outra ponta
Desse oceano de amarguras
Que não sei onde se situa!
E que quando deságua, me molho...
Sinto a água sair de meus olhos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A CULPA POR MEU ESTADO, CAMILA...

Já não ando pleno e temo e desconfio
Que terço da culpa é de teus olhos sérios,
Estes que carregam tantos mil mistérios,
Tanto encanto que os meus não resistiram.

Outro terço sei que se fez culpa minha
Por me aventurar em teu olhar inteiro.
Hoje encontro em mim este insistente anseio
Que até em sonho, céus, ele me vinha!

O terço restante é igualmente nosso.
Oh! Tamanha culpa já não sei se posso!
Este terço tal me enche de desejo!

Já não ando pleno e temo e desconfio
Que todo este aperto é quase um desvario
Por querer, de novo, o toque de teu beijo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TROVA TRISTE

Como estou? Pergunta ingrata!
Bem feliz, eu lhe diria.
Seria a resposta exata
Se não fosse tal mentira...

domingo, 8 de janeiro de 2012

DESPEDIDA ESTRANHA

Despedida estranha.
Ausento-me
e o peito não me acompanha...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

HORA DO SONO

Dores dormiram
Em sono tranquilo
No leito do beijo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

SONETO QUAL DESABAFO SOBRE ISABELLY

Esta ausência sofrida, ingrata,
Este aperto, este quê reprimido,
A paixão que eu trago comigo,
Esta sorte que me desacata.

Artificio tal qual me destrata,
Ilusão de estar protegido.
E enquanto estou recolhido
O que sinto sufoca e me mata.

Se a vejo todo meu sentido
Me excede, já não tem abrigo,
O meu peito não suporta a carga.

Eu me afogo em meus próprios suspiros,
Já não sei se eu morro ou se vivo
Do desejo que nunca se apaga.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

JANELAS URBANAS

Janelas urbanas, paisagens de nada
A desfalecer os olhares cativos.
No mais, uma dor e um cinza nativo
Do resto, do lixo, da turva estrada.

São mares profundos nos olhos de cada,
São luzes, fumaças, temor sem abrigo,
São mentes cerradas, janelas abrindo,
Perdidos poemas, vida inacabada.

Tão logo amanhece há tom agressivo,
Não faz germinar tanto pranto escorrido,
Não brota emoção de visões limitadas.

Janelas abertas! Quem vê teus sentidos
Avista na cena o voo incontido
Que vem das abelhas, das aves, das fadas!